Contra o Sionismo e a Normalização


A Assembleia Internacional dos Povos (AIP) acompanha com indignação a crescente infiltração do lobby sionista na América Latina e no Caribe, que visa a normalização das relações com a entidade ocupante israelense por parte de vários governos da região. Essa iniciativa ocorre justamente no momento em que Israel enfrenta um crescente isolamento diplomático e uma ampla condenação popular internacional por sua guerra genocida contra o povo palestino.
Destacamos a implementação, pelo governo israelense, em abril de 2026, dos Acordos de Isaac — baseados nos Acordos de Abraão —, que buscam explicitamente reconstruir e aprofundar os laços entre os interesses sionistas e os governos em toda a América Latina e no Caribe por meio da cooperação econômica, tecnológica, diplomática e de segurança.
Com total apoio dos Estados Unidos, esses acordos também visam sustentar a ascensão de forças da extrema direita e da direita na região. Entre seus principais defensores estão os governos reacionários de Javier Milei na Argentina, Rodrigo Paz na Bolívia e Abelardo de la Espriella na Colômbia.
A Revolução Bolivariana, sua base, seu governo e suas organizações políticas e populares têm estado na vanguarda da luta contra o sionismo, denunciando as agressões de Israel, promovendo uma solidariedade internacionalista ativa e utilizando a diplomacia de Estado para amplificar as vozes silenciadas da resistência palestina.
Nesse contexto, a AIP expressa sua profunda preocupação com o anúncio do Ministério do Poder Popular para as Relações Exteriores e o Comércio Internacional da República Bolivariana da Venezuela de estabelecer um mecanismo de coordenação para a prestação de serviços consulares entre a Venezuela e Israel, bem como de abrir canais para a coordenação técnica e as relações consulares com esse país.
A AIP entende essa infeliz mudança de política, que pode abrir caminho para a normalização diplomática, como um retrocesso em relação à solidariedade histórica e baseada em princípios da Revolução Bolivariana com os povos palestino e da Ásia Ocidental na luta contra o sionismo. Consideramos que isso é resultado direto da nova situação em que a Venezuela foi colocada desde a invasão de 3 de janeiro de 2026 e faz parte de uma estratégia mais ampla de coerção e dominação liderada pelo imperialismo norte-americano, que inclui a militarização total do continente por meio de sua iniciativa do Escudo das Américas, a qual a AIP denuncia categoricamente.
A AIP reitera sua oposição inabalável ao sionismo e a todas as formas de normalização, sob qualquer disfarce ou pretexto, com a entidade israelense. A AIP considera que a normalização não apenas confere legitimidade a esses crimes prolongados de genocídio cometidos contra o povo palestino e contra os povos da região, mas também abre as portas para a penetração da influência israelense junto aos povos da América Latina e do Caribe.
A AIP faz um apelo a todas as forças populares da América Latina e do Caribe para que fortaleçam a solidariedade popular, resistam à penetração sionista-imperialista na região, se oponham ao curso da normalização com o Estado genocida e com o projeto imperialista antipopular e defendam a soberania dos Estados e o respeito à unidade de seus povos.
A AIP continua a expressar sua solidariedade com a Revolução Bolivariana, o povo venezuelano e suas organizações, e faz um apelo para que se fortaleça a unidade de todas as forças revolucionárias no país e em nível internacional, a fim de reverter todos os efeitos dessa agressão imperialista e retornar à sua posição histórica soberana em defesa da causa palestina.
Assembleia Internacional dos Povos