Declaração da Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro


Caracas, Venezuela, 26 de Agosto de 2026.
Somos los hijos de Guevara
Hijos de Chávez y Fidel
Luchando por la patria liberada
Unido combatiendo hasta vencer
Porque Chávez no se fue
Aqui nadie se rindió
Patria grande para la liberación
Acá está la juventud
Combatiendo al capital
A maduro y Cilia vamo a liberar
(Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro, da ALBA Movimentos)
We are the ALBA Movimientos Fidel Castro Internationalist Youth Brigade: 30 young people from 10 countries who, over the course of 11 days, took part in a process of political eNós somos a Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro, da ALBA Movimentos, reunindo 30 jovens, de 10 países, que durante 11 dias estivemos em um processo de estudo, formação e solidariedade em Caracas, na Escola Nacional Robinsoniana. Somos jovens vindos do Panamá, Brasil, México, Honduras, El Salvador, Chile, Colômbia, Guatemala, Argentina e Venezuela. Somos parte de 32 organizações, movimentos urbanos, campesinos, sindicatos, movimentos de juventude e estudantis, de mulheres e partidos políticos. E com muito orgulho nomeamos nossa brigada em homenagem ao comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro.
Há mais de 20 anos um abraço entre Fidel Castro e Hugo Chávez deu início a uma história de unidade entre os povos da América Latina e Caribe. Hoje, vivendo o centenário de Fidel Castro, ante uma conjuntura que se coloca cada vez mais agressiva e voraz aos nossos países, se faz necessário manter viva a história para pensar a união contra inimigos comuns do nosso continente: o imperialismo e suas formas de atuar.
Ser a juventude do ano do centenário de Fidel, e no ano do bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá, nos traz uma responsabilidade e uma tarefa histórica. Retomar nossa história, a história de resistência da nossa região, das nossas organizações e nossas lideranças nos traz força, e sobretudo, nos traz um horizonte possível: o socialismo.
Em nossa região continental vivemos um ascenso dos governos de extrema direita, com Kast no Chile, Milei na Argentina, Espriella na Colômbia, Rodrigo Paz na Bolívia, Fujimori no Peru, Daniel Noboa no Equador e Bukele em El Salvador. No Brasil Jair Bolsonaro, apesar de preso, continua mobilizando sua base em seu favor, fazendo com que as eleições que vão acontecer nos próximos meses sejam decisivas no nosso continente. Manter Lula no governo, junto com Claudia Sheinbaun no México são de extrema importância para as nossas lutas e a correlação de forças.
A decadência do império não vem com poucas consequências. A intensificação da violência por meio do aumento da militarização nos nossos países, violência essa que busca corpos negros, corpos das mulheres, corpos das juventudes para atacar. O saque dos nossos bens naturais segue vigente, e como um dos principais motores da aceleração da entrada dos governos de extrema direita.
A disputa tecnológica que vivemos atualmente, junto com a crise energética devido às guerras e conflitos em outras regiões, fazem do nosso continente um espaço visado pelo império. Assim, eles buscam retomar na história deles e reorganizar planos, como é o caso da Doutrina Monroe.
Segue em curso os projetos colonizadores, especialmente na região do Caribe, como é o caso de Porto Rico, além da manutenção da constante crise no Haiti, fruto de anos de exploração, roubo e interferências militares.
Na Venezuela, que é um dos países que mais produzem petróleo no mundo, passaram anos buscando derrubar a Revolução Bolivariana com golpes, bloqueios e tentativas de gerar crises políticas, e por meio do questionamento em torno das eleições. Não conseguiram derrubar, então, decidiram que era o momento de atacar. Assim, no dia 3 de janeiro de 2026, eles entram no país, usando suas melhores e mais modernas armas, derrubam combatentes venezuelanos e 32 combatentes cubanos, causando pânico e dor na população, e assim sequestram o Presidente Constitucional da República Bolivariana, Nicolás Maduro, e a primeira combatente, primeira-dama e deputada da Assembleia Nacional, Cília Flores. Não sequestram apenas essas duas pessoas, mas um país inteiro e, nosso continente.
Em Cuba, depois de 60 anos de um bloqueio econômico e energético criminoso, o valente povo cubano, que sempre viveu sabendo das dificuldades impostas pelo imperialismo, hoje vive uma situação cada vez mais difícil e limitante, no pior momento do bloqueio e da escassez de matéria-prima e produtos na ilha. Eles buscam quebrar Cuba de maneira silenciosa e por dentro, ameaçam Raul Castro, histórico líder da Revolução Cubana e visam criar pânico na população.
A região da América Latina e Caribe, além de ser rica em recursos naturais, que fazem os olhos do império brilhar, é também uma região de lutas históricas, de revoluções e de um povo que resiste até o fim. Ou seja, um povo que ameaça a hegemonia atual. Essa história de luta que tenta ser apagada pelos imperialistas, faz parte do projeto político de dominação da nossa região, mas eles subestimam o poder da resistência de um povo que sabe porque luta e que também sabe em qual projeto político acredita.
Nossas vidas seguem marcadas pelo neoliberalismo em todo o continente, onde formas individualistas de viver são vistas como solução para os problemas coletivos. Onde a tendência é o individualismo e a depredação, a manutenção de controle, ter revoluções como vizinhas é uma ameaça sem precedente para os canibais.
É diante desse contexto de violência, agressões constantes e busca pela desestabilização que viemos conhecer a Revolução Bolivariana. Nesses 11 dias em que estivemos em Caracas estudamos, caminhamos pelas ruas, conversamos com as pessoas e buscamos entender a realidade do ponto de vista mais natural e concreto. Estudamos sobre o feminismo popular e comunal, sobre a história da Revolução e a sua atualidade, aprendemos sobre a história da ALBA Movimentos, e como essa história fala sobre a história de luta e resistência em toda a América Latina e Caribe. Aprendemos sobre as comunas, a economia, a história e os processos organizativos no seio da revolução e por aqueles que a constroem diariamente.
Fomos recebidos pela deputada Tânia Diaz, pelo PSUV, pelo Instituto Simón Bolívar, pela ministra da Juventude, assim como a juventude do partido. Escutamos a institucionalidade, entendemos os projetos políticos vigentes, a atenção e o apoio à população, e sobretudo à juventude desse país.
Visitamos o cemitério e prestamos homenagens aos combatentes caídos no 3 de janeiro. Conversamos com as pessoas impactadas, ouvimos suas histórias, sentimos suas dores. Plantamos árvores junto com o Partido Verde como símbolo do renascimento, do cultivo e da renovação.
Caminhamos nas comunas El Panal, 5 de março e Circuito Comunal Ezequiel Zamorra. Escutamos e nos emocionamos com as histórias contadas pelo povo venezuelano sobre o comandante Chávez e o presidente Maduro. Histórias de construções coletivas, de avanços ao longo dos anos por meio do fortalecimento do poder popular, e as histórias também em torno do atentado do 3 de janeiro. Escutamos o povo pedindo a volta do seu presidente e primeira-dama.
Fomos a La Guaira, estado mais atingido pelos terremotos do dia 24 de junho de 2026. Caminhamos em meio aos escombros, vimos imagens que carregaremos para sempre, tamanha era a dor. Mas também vimos um nível solidariedade, de ação e de trabalho em conjunto que também nunca havíamos visto antes, por parte da população e do governo. Entendemos o poder do enraizamento de um projeto político que transforma as relações humanas.
Passamos três dias em acampamentos temporários transitórios no Distrito Capital, são eles: Acampamento Transitório Luis Hurtado Higuera, em El Junquito, Acampamento Transitório Narciso Gonell, en Cátia La Mar, Acampamento temporário de Adultos e Adultas maiores e Posto de Atenção Social Integral, no estado de La Guaira. Trabalhamos e ajudamos o povo, trabalhamos nas cozinhas, conversando com as pessoas, brincando com as crianças. Pudemos sentir e entender a base material e concreta de um projeto de governo, que tem a partir do fortalecimento dos territórios e do povo que aí vive o seu ponto mais forte. Entendemos melhor o processo de tentativa de gerência imperialista nos abrigos e acampamentos por meio das ONGs e repudiamos tais atos. A soberania popular segue viva, ainda em meio a um momento de tanta dor, e somos testemunhas disso.
Trouxemos em nossas malas medicamentos, recebemos insumos de antibióticos, corticoides, analgésicos, insumos médicos, kit de higiene pessoal para as mulheres, leite em pó para as crianças, fraldas para adultos e crianças e kits de emergência, que foram arrecadados em nossos países e levamos para os abrigos temporários.
Enquanto eles buscam seus velhos métodos e estratégias, nós afirmamos que não deixaremos que a história se repita. Não a história de golpes, saques, ataques e massacres, a história de degradação dos nossos países, de busca de esgotamento das nossas forças, das nossas vidas, economia e sociedade.
A única história que deixaremos que se repita é a história das revoluções, lutas, guerrilhas, das brigadas de solidariedade e a história de unidade entre os povos.
Diante de todas essas questões, declaramos que:
Seguiremos levando adiante o legado de Chávez e Fidel, e do abraço que nos trouxe juntos. Seguiremos levando em frente a solidariedade como ação concreta.
Seguiremos levando adiante, com nossa responsabilidade, a solidariedade para com os povos do mundo e da construção do socialismo, até que todo o nosso continente seja vermelho. Aqui ninguém se rendeu e Chávez segue vivo nas ruas, paredes e nos corações.
Organizações participantes da Brigada de Juventudes de ALBA Fidel Castro: Movimiento Estudiantil Liberación – Corriente Nuestra Patria, Movimiento Evita, OLP Resistir y Luchar, Sindicato Canillitas, NODAL, Nuestramerica Movimiento Popular, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), MODATIMA Wallmapu, Congreso de los Pueblos – Plataforma Estudiantil APELEAR, Fuerza Estudiantil Salvadoreña (FES), Frente Farabundo Martí Para la Liberación Nacional (FMLN), Comité de Reconstrucción y Desarrollo Económico Social de Comunidades de Suchitoto (CRC), Bloque de Resistencia y Rebeldía Popular, Centro de Estudios Schafik Handal, Comité de Unidad Campesina (CUC), Mujeres Socialistas de Honduras, Bases Unidas, Movimiento Estudiantil Revolucionario – Lorenzo Zelaya, Casa Tecmilco, Instituto Nacional de Formación Política de Morena, Suntracs.
Organizações do Capítulo Venezuela da ALBA: Movimientos de Pobladores y Pobladoras, Calistenia Cultural, La Minka, Movimiento Otro Beta, La Otra Escuela, Red de Trabajadores del Movimiento Somos Venezuela, Frente Francisco de Miranda, Frente Patriótico Alexis Vive, Cumbre Nacional Afrovenezolano, Escuela de Cuadros, Partido Verde y Faldas R, Movimiento Nacional de Amistad y Solidaridad Mutua Venezuela-Cuba.