Estamos passando por um longo período de profunda crise estrutural do capitalismo.

Trata-se de uma crise do modo de produção capitalista que se tornou uma profunda crise social – devido ao aprofundamento das desigualdades, aumento da pobreza, fome, precariedade e privação de direitos trabalhistas das classes trabalhadoras. Vivemos uma perigosa crise ambiental, devido à agressão do capital aos bens naturais e a uma crise política do Estado burguês e das formas burguesas de democracia.

A crise social do capitalismo se manifesta na pauperização dos povos, com drástica redução das condições de vida e de trabalho em todo o mundo. A crise do emprego se revela na medida em que os postos de trabalho são cada vez menos viáveis e, por sua vez, o agronegócio capitalista elimina os pequenos agricultores, camponeses e camponesas. O avanço tecnológico é posto a serviço da expulsão dos trabalhadores do mundo do trabalho formal no Norte, ao mesmo tempo em que promove e colabora com as formas mais absurdas de precarização e exploração do trabalho no Sul. Esta crise se reflete no número crescente de pessoas que enfrentam a fome e a migração.
Trata-se de uma crise energética, ambiental e de produção de alimentos.

É uma crise que vai desde o despejo das famílias camponesas da terra até a falta de acesso à moradia para as maiorias populares. Essa crise aumenta a precariedade e a pobreza, elevando a desigualdade em todo o planeta a números nunca antes vistos. Há uma crise de rentabilidades, os capitalistas não conseguem lucros o suficiente com a tendência do capital a oscilar em direção a bolhas de ativos de todos os tipos, incluindo o mercado financeiro. Isso porque o capitalismo é dominado em todo o mundo pelo capital financeiro, que busca apenas o rentismo e a especulação, produzindo cada vez mais concentração de lucros e riqueza. O capitalismo não consegue sustentar a si mesmo. Seu quadro político atual, o neoliberalismo, mostrou seus limites. A crise do capitalismo engendra uma crise de valores: um aumento do individualismo e do consumismo, um desprezo pela vida e pela natureza.

É uma crise da civilização ocidental e eurocêntrica, que se evidencia no colapso das suas instituições políticas e na sua forma de Estado liberal, republicano e burguês, onde as democracias dentro de sua forma representativa e liberal apresentam fortes limites para expressar projetos de transformações profundas e radicais que respondam aos problemas do povo. Em muitos casos, por meio de uma estratégia de guerra híbrida, chegam a usar grandes setores da sociedade para se opor aos direitos básicos conquistados pelos povos, incluindo o direito à democracia.

O imperialismo estadunidense submete nossos povos a guerras híbridas e não convencionais, envia pacotes de subversão disfarçados de projetos humanitários e de ajuda ao desenvolvimento, intervém nos processos eleitorais para garantir seu acesso aos nossos bens comuns, pretende acoplar nossos territórios ao seu sistema de reprodução, sanciona e bloqueia nossas soberanias e resistências, sujeita nossas economias a dívidas ilegítimas e impagáveis e nega qualquer contribuição possível para os problemas fundamentais de nossos povos.

A tensão em nível geopolítico indica um agravamento da crise como resultado da queda do poder dos Estados Unidos e da ascensão da China. O gigante oriental está lentamente se tornando uma das economias mais poderosas do mundo, e as guerras comerciais são uma consequência dessa mudança no poder econômico. Os Estados Unidos, apesar de seu poder ideológico estar em erosão, mantêm sua hegemonia bélica, sendo o país com maior poder militar do mundo. Dominação não é sinônimo de hegemonia

A contradição entre o desmoronamento econômico e ideológico dos Estados Unidos e sua supremacia militar representa grandes perigos para o planeta. A pandemia de Covid-19 acentuou o surgimento da China como poder econômico global em face de respostas incoerentes de economias imperialistas como os Estados Unidos para sustentar sua força de trabalho e seu modelo sob “novas normas” que só produzem desemprego em massa.

O surgimento do neofascismo é uma forma do grande capital para controlar o Estado impondo governos autoritários de extrema direita para cumprirem seu programa antipovo. Essas formas de governo são uma séria ameaça à justiça social.

O capitalismo é insustentável. Seu marco político atual, o neoliberalismo, demonstrou seus limite
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Há anos, novas formas de articulação internacional vêm sendo construídas em diferentes espaços e diversos continentes.

Na América Latina, foram criadas as articulações ALBA Movimentos e Foro de São Paulo. E há espaços internacionais como a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), a Via Campesina Internacional, entre outros.

Na África, a Conferência Pan Africanism Today (Pan-Africanismo Hoje), que ocorreu em Lusaka, em 2016, lançou as bases para a construção de uma unidade forte em todo o continente, que é ideologicamente clara nos valores e práxis socialistas. Isso levou ao desenvolvimento de múltiplos processos de formação política, e as exitosas Conferências Pan Africanism Today na Tunísia (2017) e em Gana (2018). A região tem visto um rápido crescimento nos esforços coordenados para combater o imperialismo e construir um pan-africanismo socialista.

Há anos, temos convergido esses esforços para uma articulação a qual chamamos Assembleia Internacional dos Povos, como forma de articular todos os espaços internacionais e todas as formas de organização dos nossos povos já existentes, sem que isso implique a substituição de nenhuma delas.

Assim, junto ao processo de articulação das organizações locais, nacionais e regionais, estamos construindo uma plataforma política comum que nos ajudará a enfrentar os dilemas da humanidade e a crise do capitalismo.

Esse processo de discussão é dinâmico, porque as contradições e as correlações de forças também o são, e isso nos obriga a ir atualizando os temas e a nossa plataforma. Portanto, este documento é um instrumento para a construção de uma unidade política, programática e ideológica que se modifica ao longo do tempo com base na luta de classes. Por isso, não pode ser entendido como documento final, mas sim como base de debate e convergência de ideias. Esperamos que todos nós continuemos a discutir este material com nossas bases sociais, nossos movimentos e organizações em todos os países.

Bangladesh

Nari Mukti Sangsad (Bangladesh Women’s Liberation Council)

Nari Mukti Sangsad, known as the Bangladesh Women’s Liberation Council, works to advance gender justice, grassroots women’s mobilization and the empowerment of rural women in Bangladesh, in South Asia.

Pakistan

Mazdoor Kisan Party

The Mazdoor Kisan Party of Pakistan, born in 1968, has its roots in the struggle of workers (mazdoor) and peasants (kisan) against feudal and colonial legacies. The party continues to mobilize for land rights, tenant protections and class justice in Pakistan’s rural areas.

 

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Palestine

Palestinian People’s Party

The Palestinian People’s Party (PPP), established in 1982, is a socialist left-wing organization active in Palestine and among the diaspora. Rooted in anti-imperialist, national liberation and class struggle politics, the PPP seeks a sovereign Palestinian state and social justice. It offers the Palestinian cause’s voice in the global fight against imperialism.

Tunisia

Workers’ Party of Tunisia

The Workers’ Party of Tunisia (Parti des Travailleurs) is a Marxist-Leninist party founded in 1986, legalized in 2011, rooted in the Tunisian working class and the struggle against neoliberalism and imperialism. It participates in popular movements, trade-unions and political education, seeking to advance socialism, workers’ rights and democracy in Tunisia.

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Italy

Potere al Popolo (Power to the People)

Potere al Popolo (Power to the People) is an Italian is a political party founded in 2017 that unites activists, worker movements and social forces around anti-capitalism, feminism, ecology, and popular participation. Representing a renewal of popular politics in Europe, it advocates real democracy through everyday self-organization and international solidarity.

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Argentina

Patria Grande Front

The Patria Grande Front (Frente Patria Grande) is a left-wing political front in Argentina founded in 2018, rooted in popular organizations and social movements. It advances an agenda of social inclusion, workers’ rights and Latin American integration.

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Guatemala

CUC (Committee for Peasant Unity)

The CUC – Committee for Peasangt Unity (Comité de Unidad Campesina) is a broad and pluralist organization of Guatemalan peasants and indigenous rural workers, founded in 1978. It fights for agrarian justice, gender equity, ethnic rights, and self-determination of rural communities in the face of militarization and land grabbing.

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United States

CodePink: Women for Peace

CodePink: Women for Peace is a U.S.-based grassroots anti-war and feminist movement founded in 2002, committed to ending militarism and U.S. interventions worldwide. Through direct actions, digital campaigns and alliances with global peace initiatives, CodePink redirects military spending toward healthcare, education and sustainable jobs.

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United States

PSL (Party for Socialism and Liberation)

The Party for Socialism and Liberation (PSL), founded in 2004 in the United States, is a revolutionary socialist organization which argues that capitalism and imperialism must be overthrown for humanity to thrive. With a programme rooted in workers’ rights, racial justice and international solidarity, the PSL participates in electoral campaigns, mass protest and political education.

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Zambia

Socialist Party

The Socialist Party of Zambia is a Marxist-Leninist party founded in 2018, promoting policies of universal education, healthcare, land reform and worker-peasant power. It represents a new strand of socialist organizing in Zambia’s political landscape and connects local struggles to global anti-capitalist movements.

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South Africa

Socialist Revolutionary Workers Party (SRWP)

The Socialist Revolutionary Workers Party (SRWP) was founded in 2019 in South Africa by key union activistc. The party adopts a clear socialist, anti-capitalist and worker-controlled programme, committed to transforming society from below rather than simply contesting elections.

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